Crônica: Esperando por ele vendada

Por Suzanna Prado

Houve desencontros de agenda e empecilhos pessoais referentes ao dia-dia, além de uma breve mudança de horário e quase mais um dia de espera.

Mas, enfim, estava tudo combinado entre nós, depois de um longo período de negociações.

A ansiedade tomava conta dos sentidos. Finalmente iria tê-lo entre minhas pernas.

Eu o aguardava com as janelas e cortinas cerradas, em uma escuridão proposital. Deixei a porta destrancada, banho já providenciado, toalha limpa, cheirosa e felpuda.

O coração estava acelerado, boca seca, pés gelados, mãos úmidas. Estava vestida com um fio dental preto com renda nas laterais e uma camisola curta de seda. Um edredom macio cobria meu corpo. Nos olhos, trazia uma venda. Sim, isso era parte do acordo: permanecer vendada.

Ouvi a porta se abrindo. O coração foi ao limite. Acompanhei o som dos passos dele em direção à ducha.  O banho foi breve, para o fim da minha angústia.

Estava com todos os sentidos aguçados, o que aumentava ainda mais o desejo, gerando um tesão intenso.

Ele veio em minha direção. Descobriu meus pés e começou a lambê-los. Senti um calafrio. Apenas respirava e apreciava deliciada o deslizar de sua língua macia e quente.

Estava de bruços, favorecendo, assim, a degustação gentil e macia de meu derrièrepor sua língua. Eu me contorcia delicadamente, com a respiração entrecortada, enquanto sua boca quente continuava a subir em direção à minha nuca, proporcionando arrepios ardentes.

Encostou seu rosto no meu, enfiando sua língua dentro da minha boca. Senti sua temperatura em fogo.  Aquela barba macia, desenhada, bem aparada, esfregando em minha pele, que parecia estar em febre.

Fui desvendada. Olhei em seus olhos e recebi de volta um sorriso de satisfação.

Nunca tínhamos nos visto. Foi literalmente um encontro às cegas. Ele me virou e perguntou: “Tudo bom?”.

Eu puxei sua boca e o calei com minha língua. Respiração cadenciada com vontade de devorá-lo. Um desejo imenso em voltar a sentir aquela barba percorrendo meu corpo.

Parece que ele leu meus sentidos.  Desceu languidamente sua língua pelos meus seios. Segurei seu rosto, sentido a maciez dos fios de sua barba. Ele continuou a descer até chegar dentre minhas pernas.

O seu prazer era o meu!  Ele ficou um tempo sem fim ali, me provando e provocando. Sua língua fervendo como um vulcão, úmida, macia como pluma. Sua saliva se misturou com o creme do meu prazer. Eu já não sabia mais o que estava tão molhado, se era sua boca de tanta fome e desejo por me devorar, ou se era o desejo pulsante de minha vulva.

Apesar de ofegante, eu gemia com calma, compassadamente, apertando seu rosto contra meu sexo.  Desejava incontrolavelmente seu membro.

Com movimentos lentos, porém certeiros, fui em busca de seu membro, que latejava e queimava minha mão. Sem descolar sua boca de minha vagina, desci até ele e encostei minha língua em sua glande. Ele suspirou, mas não parou nem um minuto de me devorar com sua boca deliciosa. Eu fiz o mesmo, retribuindo cada sensação de prazer e desejo intenso.

Nos degustamos sem pressa. Sentindo cada desejo sendo finalmente realizado.

Coloquei o látex e sentei em seu colo. Com movimentos do pompoarismo, engoli cada centímetro do seu membro. Seus gemidos se intensificam e ele pediu para diminuir o ritmo, aumentando nosso tempo de prazer.

Beijei com sede aquela boca suculenta,  sentindo mais uma vez sua barba fazendo carinho em meu rosto.  Como sou apaixonada por homens que sabem usar sua barba!

Meu ritmo intensificou. Ele pediu calma. E eu tinha vontade de explodir de tesão.

Comecei a rebolar em seu colo e ele já se contorcia para não explodir. Até que não me aguentei e gozei em uma onda quente, porém calma ao mesmo tempo, apesar da respiração ofegante.

Ele não resistiu à pressão do meu quadril em ritmo acelerado. Deu um gemido único e forte, com a respiração muito ofegante.

E pausamos para um breve repouso.